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  • Teresa Mateus

Bebés e Autismo


Hoje, dia 2 de Abril, é o dia mundial da conscientização do autismo. As perturbações do espectro do autismo são perturbações do neurodesenvolvimento geralmente caracterizadas por dificuldades na comunicação e interação social, existência de comportamentos repetitivos ou estereotipados, interesse por objetos ou temas específicos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Frequentemente estes sinais tornam-se mais evidentes entre os 18 e os 36 meses.


No entanto, investigações recentes mostram-nos que existem sinais que surgem muito mais cedo e que podem ser indicadores de um maior risco de desenvolvimento de uma perturbação do espectro do autismo. É por isso muito importante valorizar as queixas dos pais, identificar estes sinais e se necessário intervir o quanto antes.


Estes sinais podem surgir durante o primeiro ano de vida, alguns deles são possíveis de ser observados nos primeiros 3 meses. Importante deixar claro que estes sinais não são exclusivos do bebé com maior risco de desenvolver um autismo. São sinais de alarme, muitas vezes subtis, que nos dão a informação que aquele bebé poderá estar com alguma dificuldade ou em sofrimento e por tanto em maior risco de desenvolver alguma perturbação - entre elas a do autismo (cuja causa ainda se desconhece).


Quais são então alguns sinais de alerta?


SINAIS NA RELAÇÃO COM O MUNDO


Normalmente os bebés vêm com uma capacidade inata para se relacionar com o mundo. Eles são apelativos, dão-nos vontade de interagir com eles, respondem a essas interações e mais tarde eles próprios provocam a interação com os outros e fazem experiências no mundo, explorando as suas capacidades e o efeito dos seus comportamentos. No caso de estarem em sofrimento, estes bebés podem ter esta capacidade limitada e apresentar uma maior dificuldade para se relacionar e comunicar com os seus cuidadores e com o mundo.


Na relação, os pais podem sentir, por exemplo, que o bebé não se interessa por eles ou pelos brinquedos ou brincadeiras ou pelas experiências do mundo em geral. Um exemplo pode ser o bebé ter um “olhar vazio” ou não fixar o olhar neles (podendo fixar o olhar em pontos específicos como luzes por exemplo); o bebé não mostrar interesse em explorar (a si próprio, aos pais ou ao mundo em geral) ou prazer na interação (sorri pouco ou nada, não brinca com vocalizações ou não responde quando chamado por exemplo) ou o bebé até aceitar e responder à interação mas não ter iniciativa ou não demonstrar claramente vontade de continuar quando a interação é interrompida.


Na comunicação, os pais podem sentir dificuldades em entender o seu bebé, como se existisse uma dificuldade em transmitir o que está a ser vivido, como se o bebé tivesse dificuldade em manifestar-se de forma clara e consequentemente os pais podem sentir uma maior dificuldade para acalmar e regular o seu bebé. Pode ser por exemplo um bebé que não estica os braços para pedir colo, um bebé que não olha para os pais comunicando algo, um bebé que chora demasiado ou de forma inconsolável ou pelo contrário, um bebé silencioso que raramente mostra sinais de desconforto.


SINAIS SENSORIAIS E MOTORES


Segundo investigações recentes, acredita-se que o autismo seja essencialmente uma perturbação sensório-motora e que são as dificuldades sensoriais e motoras que acabam por dificultar a relação e a comunicação com o mundo referidas no ponto anterior.


Alguns sinais de alerta sensoriais podem manifestar-se por uma hipo ou hipersensibilidade a alguns estímulos (e consequentemente uma hipo ou hiperreactividade a eles).


Esta sensibilidade alterada poder ser por exemplo táctil (alguns bebés reagem a alguns tecidos, ao toque, ao estarem despidos ou ao colo ou demonstram uma preferência por um toque mais intenso ou um colo mais apertado), auditiva (reagem aos sons ou têm tendência para os sons elevados), vestibular (reagem mal a qualquer movimento ou têm preferência por movimentos fortes), etc.


Estes bebés podem ter também uma sensibilidade aumentada ou diminuída à dor.


A nível motor, alguns sinais de alerta podem ser observados em bebés que têm uma grande rigidez muscular ou uma hipotonia, ou seja, uma redução do tónus muscular. São em geral bebés que não se aninham no colo dos cuidadores, não se moldam, ou seja, parece que estão muito rígidos ou que são “escorregadios”. Muitas vezes são bebés que os pais sentem que não gostam de estar ao colo.


Podem também apresentar outras dificuldades motoras no seu desenvolvimento como maior dificuldade em segurar a cabeça, rebolar, sentar-se sem apoios, gatinhar, etc.


OUTROS SINAIS


Por vezes pode não ser claro mas alguns pais sentem que há algo que não está bem com o seu bebé mesmo sem saber especificar o que os leva a sentir isso. Isto acontece exatamente pela subtileza dos sinais precoces que facilmente podem passar despercebidos.


Alguns destes sinais podem ser muito subtis e/ou não estarem presentes o tempo todo. E se é verdade que cada bebé tem o seu ritmo e o seu tempo, também é verdade que não existe uma idade mínima para se pedir uma avaliação profissional. Nunca é cedo demais se sentem que há algo que pode não estar bem com o vosso bebé.


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